terça-feira, 11 de setembro de 2012


Ícaro

Em uma das versões o mito de Dédalo, renomado inventor, descreve que após matar seu sobrinho Ácale, pensando que iria superar seus inventos e ganhar mais prestígio que ele, foi mandado para Creta junto a seu filho Ícaro. Lá terminou sendo acusado pelo rei de favorecer aos amores de sua esposa Pasífae trancafiando assim o inventor, Ícaro seu filho e o minotauro no Labirinto que era uma das invenções de Dédalo.
                Permaneceram por muito tempo no Labirinto sem poderem fugir, até que ele fabricou um par de asas para saírem voando pelo oceano e ir para longe daquele lugar. Ao ficarem prontas, antes de escaparem Dédalo alertou seu filho de que as asas eram feitas de cera e que ambos não poderiam se aproximar do sol para não derreterem.
               Tudo ia bem, até Ícaro se empolgar com a possibilidade de poder voar e deixando de lado as advertências do pai subiu demais, a cera derreteu e as asas não suportaram o peso dele que caiu no mar e se afogou. Ele subestimou o pai já que nenhuma de suas invenções havia falhado alguma vez, e pensou que aquilo não iria acontecer a ele.
                Desse mito tiramos vários ensinamentos um deles é que não devemos ir além do que podemos sem ter a segurança de que dará certo, ou acabaremos mal. Ícaro foi ambicioso e esqueceu o que seu pai disse, procurando a diversão não teve cautela. Um ditado que se aproxima disso é “Quanto mais alto maior a queda”, é preciso humildade, controlar a ambição e a vontade de só se divertir, para no final das contas fazer com que algo tenha valido à pena.

domingo, 9 de setembro de 2012

messias




O futuro é uma ameaça, ele muda o presente constantemente. Suas configurações não são claras, os fios que o tecem não são visíveis. E as distopias estão sempre a espera. Em Filhos da Esperança o futuro é sombrio. Distópico.
            A humanidade é incapaz de procriar há 18 anos. Um mundo sem crianças. O desespero agrava os problemas, guerra, xenofobia, solidão, consumismo, apatia... É um fim do mundo calmo e silencioso. Nada de explosões nucleares, desertos e gangues de motos. Mas, assusta.
            Uma mulher engravida. Negra, imigrante e solteira. A esperança volta ao mundo. A esperança então é caçada, pois ter esperança neste mundo tão próximo ao nosso é ter um poder inacreditável. A criança é buscada. Ritmo frenético, afinal é um filme de ação.
            Em momento de calmaria o herói e a grávida conversam. Quem é o pai dessa criança? E ela responde que é virgem. Depois vêm os risos. E eu assistindo maravilhado. Quando ela diz que não poderia saber quem é o pai, pois vários homens passaram pela sua cama.
            Em um dialogo em meio a tantas cenas de tiros e perseguições, eles matam deus e sua ética. Pois, foi ela que nos levou ao fim do mundo. Agora, nossa criança messiânica é filha do prazer, é filha da renegada, é filha do que queríamos esconder. Messias demasiadamente humano.
            Subverter a ordem é o papel do messias. Pois é a ordem que nos ameaça. Ela sinaliza um momento de perigo. E assim podemos pensar que podemos ser melhores se deixarmos de tentar ser tão bons.